"Porque os enredos, mesmo os mais mesquinhos, são rituais de fuga ao tédio. Embirrava contigo para te ver espernear. Até que deixei de ter paciência para te ouvir. Irritavas-me a despropósito e eu já não conseguia controlar o enredo da minha embirração contigo. Minha culpa, minha máxima culpa, já não conseguia ouvir-te as lamúrias. Nunca usaras a hipocondria existencial como técnica de sedução - de resto abominavas esse género de aproximação, tornavas-te quase agressiva quando alguém tentava comover-te com queixas ou doenças imaginárias.
25.10.08
Inês Pedrosa
5.10.08
Júlio Cortázar
"Quando abrir a porta e assomar à escada, saberei que lá embaixo começa a rua; não a norma já aceita, não as casas já conhecidas, não o hotel em frente; a rua, a floresta viva onde cada instante pode jogar-se em cima de mim como uma magnólia, onde os rostos vão nascer quando eu os olhar, quando avançar mais um pouco, quando me arrebentar todo com os cotovelos e as pestanas e as unhas contra a pasta do tijolo de cristal, e arriscar minha vida enquanto avanço passo a passo para ir comprar o jornal na esquina."
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